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alguém virá

Diversidade e pertencimento culturais

Diversidade e pertencimento culturais Ronald Augusto [1] Diversidade cultural implica um dilema, a saber: é preciso reconhecer tanto a minha particularidade, quanto a particularidade do outro, mas ambas como instâncias aproximativas do universal. Isto é, graças às particularidades é que podemos conceber o universal como uma categoria em movimento. O conceito de Homem por meio do qual aceitamos, a princípio, que o outro pode ser considerado como “meu semelhante, meu irmão”, só é possível porque a imagem intuitiva que fazemos de Homem e, por outro lado, de nós mesmos, se constitui de uma infinidade de tipos humanos particulares que, no entanto, apresentam muitos traços em comum. Esses traços comuns é que nos permitem dizer que Malcom X, por exemplo, além de suas singularidades, é um homem como qualquer outro. O conflito cultural toma o lugar da diversidade cultural quando pretendemos universalizar nossa particularidade, isto é, quando lutamos apenas pelo nosso reconhecimento...

clicheria

acho engraçado  o cacoete de muito poeta: a palavra final do antepenúltimo verso, de ordinário, rima com a do último

pela cobertura

não gosto da capa não me agrada o título mas é um desenho coisa de artista não precisa ser um retrato fiel o ilustrador tem a sua visão e liberdade para recriar etc só que a boca clusa feito anastácia os ferros na fala o olhar derreado tudo tão reiterado ainda a mesmidade sob o tardio reconhecimento a curiosidade sobre e como deve ser uma vida de negro

um rap só e mais nenhum

nem de longe eu entendo o que me vem à cabeça o silêncio sem ideia é alta recompensa a minha tara a minha manha é sempre comburente eu não lavo minhas mãos nem com água ardente não me venha com deus-me-acuda se o poema aperta a palavra tem dois lados turbulenta moeda gira e rola pomba-gira e dá pra todo mundo felizberto joão-gostoso diná raimundo todos eles dão de mão em poesia pouca essa gente cai por cima e vai dormir de touca desenrolo minha língua pra lamber o pandeiro meu dicionário brasil é num estranho brasileiro meu discurso não tem cabo nem sequer validade atravessa rio na cheia o centro da cidade trova a traça muda o modo do som tagarela escurece logo as coisas antes da novela quer dizer e diz que nem sempre atinge o alvo mas entende a balaca-cadillac do olavo que verbera por respeito no meio da praça onde putas e columbas dão o ar da sua graça onde a bíblia encardida berra ultima verba onde o olho encara o sol e mergulha na...

conversa com um despachante

conversa com um despachante não vale mais reiterar que o brasil é um país jovem que nossa democracia ainda se apresenta frágil porque nossa história é recente e periférica e infante e o que mais você quiser enfiar no escopo comparada às velhas democracias a nossa seria adolescente (o discurso dos patriotas grisalhos) não vale mais insistir nessa coisa, infanção o brasil é um país ultrapassado envelheceu a contrapelo dessa juventude de fachada festejada como um traço essencial do gênio da nação o brasil não envelheceu agora com o golpe, não sua velhice chegou já há algum tempo e chegou arrastando os predicados de sempre levando à esquerda e à direita a resignação a retórica o acordo a negociação a teimosia a autoridade a estabilidade o medo o frio a formalidade o controle o brasil envelheceu socialmente envelheceu politicamente o velho golpista e seu governo formam a imagem perfeita dessa condição l...

indo para diamantina, 2016

entre montanhas o jequitinhonha serpeia exsurge às vezes a areia branca do leito depois o perpétuo eucalipto enquanto um quietar ventoso embrulha a intervalos o barulho de carros e caminhões ladeados pelo barro carmim que sobe as encostas