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subir ao mural

à luz fria da última hora da tarde os talheres à mesa ou na cozinha   raspam a louça branca cujas peças batem a toada inconclusa no balcão de ordinário mármore * acesse o link  https://editoracaseira.com/subiraomural/

a bordo

não queda um segundo sem que não soe um alarme cada equipamento dispara dois três tipos de em representação ao desempenho dos infantes o esforço de vida o prazer o cansaço mirados em linhas e cifras numéricas verdes azuis amarelas brancas abstrações eletrônicas de choros resmungos vagidos em ciranda e às vezes o vermelho piscante em ritmo ternário o interrupto sono a bordo de noites gigantes girando para ir ao café e bebê-lo a escada de incêndio de sorte a evitar os demorados e vastos elevadores uma ligeira interpolação de terror enquanto subo ou desço pelas escadas sem esbarrar com ninguém

alguém virá

Diversidade e pertencimento culturais

Diversidade e pertencimento culturais Ronald Augusto [1] Diversidade cultural implica um dilema, a saber: é preciso reconhecer tanto a minha particularidade, quanto a particularidade do outro, mas ambas como instâncias aproximativas do universal. Isto é, graças às particularidades é que podemos conceber o universal como uma categoria em movimento. O conceito de Homem por meio do qual aceitamos, a princípio, que o outro pode ser considerado como “meu semelhante, meu irmão”, só é possível porque a imagem intuitiva que fazemos de Homem e, por outro lado, de nós mesmos, se constitui de uma infinidade de tipos humanos particulares que, no entanto, apresentam muitos traços em comum. Esses traços comuns é que nos permitem dizer que Malcom X, por exemplo, além de suas singularidades, é um homem como qualquer outro. O conflito cultural toma o lugar da diversidade cultural quando pretendemos universalizar nossa particularidade, isto é, quando lutamos apenas pelo nosso reconhecimento...

clicheria

acho engraçado  o cacoete de muito poeta: a palavra final do antepenúltimo verso, de ordinário, rima com a do último

pela cobertura

não gosto da capa não me agrada o título mas é um desenho coisa de artista não precisa ser um retrato fiel o ilustrador tem a sua visão e liberdade para recriar etc só que a boca clusa feito anastácia os ferros na fala o olhar derreado tudo tão reiterado ainda a mesmidade sob o tardio reconhecimento a curiosidade sobre e como deve ser uma vida de negro

um rap só e mais nenhum

nem de longe eu entendo o que me vem à cabeça o silêncio sem ideia é alta recompensa a minha tara a minha manha é sempre comburente eu não lavo minhas mãos nem com água ardente não me venha com deus-me-acuda se o poema aperta a palavra tem dois lados turbulenta moeda gira e rola pomba-gira e dá pra todo mundo felizberto joão-gostoso diná raimundo todos eles dão de mão em poesia pouca essa gente cai por cima e vai dormir de touca desenrolo minha língua pra lamber o pandeiro meu dicionário brasil é num estranho brasileiro meu discurso não tem cabo nem sequer validade atravessa rio na cheia o centro da cidade trova a traça muda o modo do som tagarela escurece logo as coisas antes da novela quer dizer e diz que nem sempre atinge o alvo mas entende a balaca-cadillac do olavo que verbera por respeito no meio da praça onde putas e columbas dão o ar da sua graça onde a bíblia encardida berra ultima verba onde o olho encara o sol e mergulha na...