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um, dois, três poemas



mais que tropeço sanhudo
a onda rompe o próprio centro
para produzir esse
acorde áspero e forte

bem acima
sem que se dê por isso
jungidas ao azul recurvo
nuvens num turbilhão
talhado   surdo

03 de fevereiro de 2012




o marido velho à
sombra fulva desses sentimentos de amor

a testa — fruto ácido e fungível que
oscila — se inclina

forçado em suplícios que o fatigam
medita a música calada e irascível

de uma meia confissão que lhe sai
ao preço de ficta vulgaridade


04 de fevereiro de 2012




pânicas umbelas de beira-
praia (três verões mais tarde)
embicadas contra o barbatanear
do vento

uma pálpebra de luz (
pano ligeiro)
dessigila a realidade mais à mão

                                    
05 de fevereiro de 2012


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