Skip to main content

Posts

no mês de cruz e sousa

O poema em prosa “Emparedado” de Cruz e Sousa ( Evocações , 1898), vem angariando já há algum tempo uma variada recepção. Multiplicam-se defensores a adversários. De modo geral, as abordagens críticas reservam grande atenção - para o bem ou para o mal - ao espinhoso viés da identidade étnica. As análises investigam a emergência de um eu negro. Mas, esse eu , conforme o foco interpretativo - mais ou menos sociológico nuns, mais ou menos psicanalítico noutros - às vezes será representado-denunciado como “complexado”, “dividido e conflitado”, etc., e em outras vezes como o de “um negro que assume a sua condição de negro”. O acadêmico Domício Proença Filho, por exemplo, no ensaio “A Trajetória do Negro na Literatura Brasileira”, incluído na Revista do Patrimônio Histórico , no 25 (1997), vislumbra no “Emparedado” o que julga ser uma verdadeira “confissão” que “não deixa margem a dúvidas” no concernente a uma “visão negativa” que o poeta supostamente nutriria a respeito de si mesmo;...

éblis de um ponto de vista nordestino

"Éblis mostra a cara. Por enquanto e até agora, cinco volumes publicados, tom de diversidade de lugares e de dicções variadas também. De Ronaldo Machado, ´Solecidades´ (2007), uma curiosa recuperação da dimensão metafórica da poesia, recurso que caiu em desuso na produção recente, mas que aqui aparece revigorado, convertido numa metáfora urbana e amarga. Ronald Augusto em ´No assoalho duro´ (2007), como é bem sugestivo do título, passeia por um verso provocativo, atiçando a própria linguagem, quase auto-ironia, propõe um nocaute nas aparências, na arrogância solene do mundo das letras, fazendo uso das próprias armadilhas deste. Depois, Paulo de Toledo, que é de Santos (SP), editor, poeta e seus ´51 Medicamentos´ (2007), espécies de anti-haikais, poética quase rabisco por onde transita um mendigo incômodo e provocador, inquilino anônimo do que se diz: cidade. Em 2008, a editora publicou o recente ´Passeios na floresta´, de Ademir Demarchi, que é paranaense, de escrita ágil, irônica...

nepotismo!

Amaralina Dinka, minha filha caçula de 11 anos, escreveu seu primeiro poema e me pediu para publicá-lo aqui no blog. Ela quer receber críticas e comentários. A MOCINHA FELIZ Eu acordei bem sapeca Parecendo uma peteca Fui direto pra cozinha Tomar meu café na caneca Na escola eu aprendi A multiplicar No recreio fui brincar Cheguei em casa Subi a escada Escorreguei, Caí no chão Mas não chorei Na hora de jantar Tomei meu chá Na minha janela Vi uma mulher tagarela.

alexandre animador de circo

PALAVRARIA – LIVRARIA-CAFÉCONVIDA PARAMAFUÁ DE MALUNGO: Bate-papo entre Ronald Augusto e Alexandre Brito 16 de outubro de 2008, quinta-feira, das 19h às 21h Na Palavraria – Livraria-Café Alexandre Brito é poeta, músico, letrista, editor e produtor cultural. Nascido em Porto Alegre, começa sua trajetória como poeta nos anos 80, em Belo Horizonte. No ano de 1986 publica Visagens pela Editora Arte Pau Brasil. Em São Paulo participa ativamente da “Edições Nômades”, editora que publicava poemas em vários suportes (livro, poster, cartão, postal, camiseta) usando a técnica da gravura serigráfica. Com os poetas Paco Cac e Samaral (Rio de Janeiro), publica uma série de Jornais poéticos 1990, 1991, 1992. Idealizou e coordenou como editor a Coleção de poesia Petit-Poa (em sua primeira fase; formato das caixinhas) para a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, quando foi publicado “Zeros”. Também produziu eventos como o 2° Poetar (1991/SMC-POA) e a 1ª...

portopoesia, o retorno

confira toda a programação em http//:www.portopoesia2.blogspot.com

à margem de outras coisas 2

entornei pelo rasgo pelo fracasso da desrazão com meu lenho no encalço de estranhos compatriotas enracinados em lugar torpe e vão de vale em vau onde quem menos prova mais dobra a nota e a vaga onda visgo de amolações que orlam nonada e marolam no estreito por nenhuma coisa rusgam pactários sugam a niilina do néctar enquanto néscios roem unha desabam um abanar de nasos e de ossos nos cantos o sôfrego da fala menoscabo que tanto desdiz e grunha no convencimento de idéias frustres perfazendo o inintelecto a arder adrede com asma de sentidos pensos de lustres cuja luz é tão densa que tomba em rede — murciélago que se debate em delgado véu — a custo alcançam dar cabo ao que pensam mais breve cair no ensimesmo de miasmas de enfado ao menos fix os ficam libertos do dissenso *** entornei sem retorno pelo rasgo pelo fracasso da desrazão enxuguei o frasco com meu lenho no encalço de estranhos compatriotas enracinados em lugar torpe e vão de vale em vau onde quem menos prova mais dobra a nota e ...

prisma sonoro: do sertão ao porto

O título do novo CD do cantor e compositor Tom Gil, Do sertão ao porto, resume um pouco de sua trajetória vivencial e musical. A sonoridade, as referências e as parcerias que passam pelo mixer de Do sertão ao porto, traduzem esteticamente um percurso cuja origem está em Várzea Alegre, interior do Ceará, e o lugar de chegada, por um feliz acaso, em Porto Alegre. Ouça-se o qualificativo “alegre” ligando esses dois pontos. Ou não. Mas, Tom Gil poderia ter aportado em qualquer outra megacidade, pois é isso que representa o “porto” no desbravamento do seu prisma sonoro: lugar de amplas transações poético-musicais. “O aeroporto em frente me dá lições de partir”, diz um poema de Manuel Bandeira. Tom Gil aprende também a partir e abandonar. Mas, desde o ponto extremo do porto, reconhece a importância da memória. Em Do sertão ao porto, curtimos o cantor cujo timbre todo especial tem tanto de sarcasmo quanto de malandra fragilidade. Tom Gil, o zabumbeiro zombeteiro e o compositor de grandes ba...