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ressono

o herói no inferno, dentro de uma chama

traduzindo vladímir maiakóvski

scriptio defectiva & brossiana

Em defesa do Fabrício

O torcedor de futebol não merece respeito. Ele é racista, homofóbico, misógino. O torcedor é covarde. Sua suposta valentia se deve à multidão da qual ela se nutre e na qual está imersa e protegida. Ele é um pequeno déspota. O torcedor é uma criança grande e mimada, isto é, um sem-educação que não sabe lidar com o revés ou com a frustração. Ofensivo, intimidador, desrespeitoso, são alguns dos predicados do torcedor. O torcedor é um crente de uma religião de bárbaros. O torcedor é um problema social. Ele não pensa, apenas reage. O torcedor não sabe fazer distinções. O torcedor é um tremendo acidente na direção do bom futebol. O foco do meu comentário é essa coisa chamada "torcedor", não é o Fabrício, ele mesmo, o objeto do meu interesse. No quadro dos fatos futebolísticos a atitude do jogador talvez nem deva ser encarada como uma excepcionalidade, mas ela está sendo tratada como tal em prejuízo daquilo que de fato interessa, ou seja, o problema do intolerável e cre...

um reiterado falso começo

Em Falso começo Pedro Gonzaga demonstra – ou segue demonstrando seu – adestramento técnico; o poeta conhece os ritmos da tradição do verso livre modernista, o que lhe permite reagir às fraturas excessivas da poesia dos seus contemporâneos de geração que, o mais das vezes, acabam escrevendo uma espécie de prosa disfarçada em versos interrompidos aleatoriamente. Pedro é um jovem poeta que não teme, portanto, “repetir para aprender”, pois sabe que esse é o requisito indispensável na direção de “aprender para criar”. Seus poemas revelam uma voz em tom coloquial-irônico; um lirismo preciso que não capitula ao sentimentalismo votado a seduzir o leitor crédulo. Falso começo se oferece ao leitor como um conjunto de bons poemas que recriam o cotidiano por um viés mais estetizante do que virtuosístico. Condenação / Pedro Gonzaga Mais uma vez verão dos diabos a carne gentil mal desvelada salubre e daninha a vibração da vida antes da noite antes dos insetos um c...

desvio do modelo

a linguagem criou o griot ricardo aleixo e é nela e por ela que ele ainda vive na trama de novos modelos de sensibilidade assim esse o que li nesse modelos vivos vai aqui e ali pois basta parar em um livro para cair na graça da suspeição coisado de objetos suspeitos: modelos vivos a começar por um soneto engastado no conjunto como um sonido ruído cage-ducham piano gesto preparado mas o inde terminado a arte inicial que se rebusca na arte final desse buscão o negriot modelo de modulações que aprendi a respeitar e peitar quando necessário esse obá clus obá ric emboscado na anamorfose do seu manto esse esse a quem me leixo leixar esse que evém e não tem que se desfotograma narciso que se auto-anarquisa arquivo arqvivo porquanto todo o tempo-signagem que ainda não fruímos surte no seu íntimo (Gamboa, 06 de fevereiro de 2015)