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A celebridade de um homem que não foi ministro nem califa

Aguiar

Eu disse a ele que B. não merecia o galardão de artista consumado, mas foi em vão. Nem um só revés havia partido seu ânimo. Os mais feros e descomunais jamais o engoliram.

Aires

Melhor se encontrava seu oponente, porque em Bodegabay havia vencido a morte valendo-se da indústria de deuses pagãos, prodígios da terra.

Aguiar

Dizia muito bem (mesmo dizendo mal), o mancebo B., do gigante, porque, sendo ele próprio daquela geração gigântea, concordava que todos eram soberbos e descomedidos.

Aires

Mas, à socapa, afirmava que ele só sabia ser afável e bem criado. E sobre todos considerava-se bastante aquinhoado.

Aguiar

Quando o viram sair do Castelo, depois de haver roubado todos com quem topara, deram nele mancheias de coices embrutecidos. O traidor gania.

Aires

Desafortunado B.

Aguiar

A alma que ainda tinha não prestava para mais nada. Com efeito, rematado já seu juízo, veio dar nele o mais estranho pensamento que jamais teve lugar nesse mundo, segundo dizem seus historiadores oficiais: foi que lhe pareceu conveniente fazer-se um imortal errante disposto a escrever um livro mudo.

Aires

Sim, e isso o colocou em ocasiões e perigos que, embora malacabados como era claro a todos exceto ao seu parco juízo, davam-lhe autoridade para ser credor de nome eterno e fama.



Aguiar

Lembremos, portanto, diante dessa tumba, o homem que morreu pela paixão à sua legenda, nesta terra tão rica de impostores, para que os antagonistas de outras bandas não lhe tirassem das frontes o laurel da constância.

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