A afirmação segundo a
qual a literatura se esgotou ou se resolve, hoje, nessa trama de
reconhecimentos recíprocos do facebook, me parece uma generalização indevida;
trata-se de afirmação recorrente (o genérico da aposta em um quadro de falência
de algo) que agora dá as caras mais uma vez e, como de hábito, costumizada aqui
e ali. Felizmente, a literatura é coisa muito mais complexa. Sou da opinião,
inclusive, de que ela não se confunde nem com o mercado editorial, nem com as
redes sociais. Podemos estabelecer relações entre essas realidades, podemos até
mesmo sucumbir circunstancialmente diante de certo estado de coisas, mas tanto
o mercado, como o facebook, são segundos em relação à literatura. Isto é, devem
ou deveriam ser coadjuvantes no processo. Na década de 1950 os poetas concretos
(ou ao menos três deles) deram por encerrado “o ciclo histórico do verso”.
Recentemente alguém decretou o fim da história. Alguns artistas e/ou fast thinkers têm essa mania de tentar
projetar seus próprios dilemas (ou aquilo que diz respeito apenas à sua
perplexidade mais íntima) no quadro espiritual do tempo em que vivem. Fecha a
conta e passemos à próxima questão.
3 poemas de à ipásia que o espera traduzidos para o inglês folhas de louro coroavam o árduo trabalho do herói e do poeta agora temperam apenas o feijão rotineiro que consagra a vianda sempre envolvida com zelo em pano puído prefiro-as assim folhas de louro mortais colhidas pelas mãos úmidas dessa abissínia nutriz do meu desejo bay leaves crowned the hard work of hero and poet now they merely season the daily beans that consecrate the meal always wrapped with care in a cloth raggedly i prefer them that way mortal bay leaves harvested by the moist hands of this abyssinian nurturer of my desire [Tradução de C. Leonardo B. Antunes] à custa das pétalas do ventilador de teto o bafo morno da noite focinha o sono adorado de ipásia a água rápida do arroio um apanhado de carqueja o longo dia inteiro do verão at the expense of the petals of theceiling fan...
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