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último refúgio

o patriotismo da redução da maioridade penal porque o patriotismo da cura gay o patriotismo separatista do gaúcho fanfarrão porque o patriotismo do livre mercado o patriotismo anticotas raciais porque o patriotismo das tvs abertas o patriotismo da claudia leite o patriotismo do jornal e o do jornalismo que disputam o qualificativo “barato” na esperança de falar ao desejo do leitor porque o patriotismo do esquenta o patriotismo do punho cerrado porque o patriotismo do linchamento o patriotismo da esquerda porque o patriotismo da direita o patriotismo das celebridades indignadas porque o patriotismo da malandragem brasileira o patriotismo que na busca pela rapidez e pela precisão força a catalogação de cada palavra na faixa mais estreita de seu significado o patriotismo da igreja porque o patriotismo dos evangélicos o patriotismo dos black blocs porque o patriotismo dos sindicatos o patriotismo da miséria porque o patriotismo do gari-pass...

depois é tarde

Depois da excessiva caridade interpretativa dispensada ao gesto (tido e havido como antropofágico) de Daniel Alves e, de resto, a contrapelo das motivações - segundo o próprio jogador -,  casuais e quase evangélicas que o levaram a cometê-lo; depois de o debate sobre o preconceito racial quase ter se transformado num quadro do Zorra Total ou do Esquenta , graças à adesão festiva dos macacos brancos,  tanto os célebres, como os não célebres, à estúpida hashtag ; depois de o cinismo ideológico da atitude classe média apresentar a devoração da banana como um gesto superior às denúncias e aos discursos contra o racismo (já que estes teriam se tornado monótonos), por ser inovador e não indicar mácula de irritação, mas, sim, de maturidade e de espírito transcendente; depois de o torcedor-quem do Villareal , autor do ato contra o jogador Daniel Alves, ter sido exemplarmente punido (seus ingressos para a temporada foram suspensos e seu acesso ao Estádio El Madrigal...

2:23, em arroio grande

tópicos sobre o negão

Todo branco tem um amigo negão que é gente finíssima, uma simpatia e super divertido. Negão é uma pessoa que sempre é chamada de “negão”, e esta pessoa jamais será referida por qualquer outro nome como Pedro, João, Aires. Parece não haver nome que grude à sua pele. Todo negão tem vários amigos brancos que se orgulham de não ser racistas, tanto que, numa boa, tratam o amigo negão referindo-se a ele assim “o negão”. E ele não vê problema nenhum nisto. Todo negão é um blackface . Sua ginga é superestimada e inigualável. Todo negão está detido em si mesmo. Todo negão quando volta para a sua quebrada encontra outros idênticos a ele e todos entre si se tratam por “negão”. Todo negão não pode deixar de ser negão. Quando esta essência está em risco, sempre surge alguém para chamar sua atenção com a seguinte frase: “ah, para com isso, negão!”. Mussum é o negão que todo branco gostaria de ter a disposição em sua casa para animar as festinhas. Quando éramos criança...

Para as cinco ou seis pessoas que me leem

O mais perto que cheguei de B., foi na oportunidade de entrega do Prêmio Novidade Literária de 1800 e alguma coisa, em solenidade num hotel luxuoso nas imediaçãos da zona rurbana da cidade, se não me engano. Um conto meu fora escolhido como um dos destaques do mês. O concurso durava acho que um ano inteiro premiando e destacando dúzias de escritores, e esse conto acabou por fazer parte da antologia do concurso em que B. era um dos jurados. Lembro de ter pedido à minha mãe, que me acompanhava, para arrancar um autógrafo a B. (feito um menino vaidoso, ficara envergonhado de solicitar-lhe diretamente). Com a antologia do concurso nas mãos lá se foi a senhora, orgulhosa, em direção ao mestre. De longe, vi quando minha mãe se aproximou dizendo alguma coisa; em seguida ele tomou o livro de suas mãos e escreveu a dedicatória. Não tenho mais esta obra. E, a bem da verdade, quem me jogou para a prosa nem mesmo foi B., aliás, embora reconhecendo sua grandeza, sempre me senti melhor ap...

aos vinte e sete

melhor levar ao comitê

Filme não / Ronald Augusto [guitarra e voz]  Já disfarcei a solidão  Um filme sim um filme não  Um musical triste e sem dor  O som e a fúria do ator  Pode escrever o que quiser  Se isto for lhe convencer  Pode escrever o que quiser  Se isto for lhe convencer  Se não me faço entender  Melhor levar ao comitê  Que espera o triste mediador  Disfarçado de bom entendedor  Pode escrever o que quiser  Se isto for lhe convencer  Pode escrever o que quiser  Se isto for lhe convencer   [baixo: rogério gil; bateria: cristiano ungrad; e guitarra: leandro theisen]