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A justaposição de vozes dramáticas em Arrastão e outros poemas

O poeta, já há algum tempo, vem experimentando a realização do que eu chamo de “poema-livro” ou, em outras palavras, Marlon vem exercitando o poema longo em parcelas, seu foco compositivo vai a contrapelo da mera reunião de poemas sem um fio condutor. Isto é, Arrastão e outros poemas é um livro de poemas com um “tema de fundo” ou com uma invariante discursiva, coisa nada comum no acervo das obras poéticas de nossa tradição. Além disso, o conjunto apresenta variedade de ritmos e cadências: formas breves, versos cuja síntese alude ao linguajar popular e à estética da letra de canção. A simplicidade de alguns poemas é enganosa, pois ela tem o caráter do dramático. Neste sentido, não é o poeta quem fala através de uma máscara, mas a própria persona assume o primeiro plano como esse ser de linguagem que se desvela nos atos rítmicos e imagéticos da cena. O narrado e sua escassez são apresentados por Marlon de Almeida apenas na figuração dos momentos-metáforas mais intensos, c...

Armindo Trevisan: a poesia nua diante de seus celibatários

Armindo Trevisan, com Adega imaginária , seu mais recente conjunto de poemas, segue mantendo retesado o arco da lira. Por essa razão sua poesia permanece contemporânea, isto é, ela não tem essa propriedade tão só porque está sendo feita agora, não é acidentalmente contemporânea, mas, antes, essencialmente contemporânea, porque Armindo Trevisan atualiza e redimensiona no presente as tradições, as formas e os temas caros aos poetas de sua geração. Ao mesmo tempo oferece à poesia mais jovem um tom filosofal e especulativo, coisa que se relaciona intrinsecamente à sua condição de lúcido homem velho, de poeta velho, mas que, ao modo anacreôntico, envelhece e continua amando. Trevisan aprendeu que o poema quer ser amado, mais do que decodificado. Adega imaginária evoca reflexões estéticas e metafísicas, sem deixar de lado o amor dos cinco sentidos. E tudo isso por meio de uma linguagem que depura a metáfora (recurso importante para Trevisan) a seus elementos essenc...

mais além das personae

dois livros que consegui não faz muito tempo e os dois representam aparentemente tudo o que menos me agrada um é de haikais (mas não), 29 de marcos messerschmidt o outro é de sonetos (mas não), quarenta e uns sonetos catados de alex simões mas para a minha grata satisfação esses poetas e seus livros não cumprem o que prometem ou melhor cumprem o essencial: além ou aquém de um circunstancial reconhecimento – que felizmente parece não lhes interessar – de um como persona -haijin e de outro como persona -sonetista o que vale mesmo é que são bons poetas e experimentando as valências expressivas dessas formas da tradição e na medida do possível acrescentando algo de singular a elas quarenta e uns sonetos catados de alex simões: desde o seu surgimento até agora as tramas métricas e rímicas do soneto continuam quase as mesmas o que muda e mudará sempre é o tom e a sintaxe alex simões com esse seu conjunto de contrassonetos não perde ...

o calafate cristiano moreira, poeta

o calafate o que faz veda os vãos as fissuras entre as tábuas das naus à força de estopa e algodão com alcatrão o calafate míope metáfora do poeta háptico que palpa num afazer de afasias seus breves e compactos instrumentos seu bateau ivre à deriva a tarefa arquetípica de emprestar sentido ao nomeado mas a mareada náusea o impreciso feito preciso “os rostos no lodo da margem” borram por sua vez o desenho do poeta cala- fate fátuo ficto (a música do cais fungível e indeterminada o silêncio mais essa palha espessa) o marulho da memória o mar-rio grande bulindo com as duas cidades coxas de mulher oleosa baita livro-trapiche de poemas (em contraponto com fotogramas de prosa) do cristiano moreira lido agora depois de 5 anos quieto entre outros volumes                          

fignans [completo]

el hacedônio

festival de poesia latinoamericana bahía blanca #2