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literatura e cinema

A Literatura na Vertigem do Cinema, oficina  ministrada por Ronald Augusto. Realizada às quartas-feiras, das 18h30min às 21h30min, num total de oito encontros. Valor do investimento por participante é de R$ 400,00, que pode ser pago em duas parcelas.

o topos gráfico da página

fotos de 2 caligramas/poemas visuais de ronald augusto espaço gráfico é um suporte, mas também é mais do que isso; a página; a tela da pintura; a tela do computador e do cinema; essa dimensão da página como lugar onde se exercita uma poética visual é mais notável no poema do que na prosa; é o espaço onde além de se materializar um discurso que aponta para sentidos externos, esse espaço mesmo também nos obriga a estabelecer relações entre as formas que o constituem e essas relações constroem sentidos paralelos e específicos à comunicação não-verbal; o espaço gráfico supõe a relação dinâmica entre o impresso (a mancha gráfica) e os claros (espaço em branco); há uma relação entre os traços (sejam tipográficos, sejam caligráficos) e o semântico que é mais ou menos evidente; os valores tipográficos, traços tipográficos, representam desdobramentos da caligrafia e sua relação com o papel/página; não por acaso somos fetichistas com os manuscritos autógrafos dos es...

festival de arte negra

http://www.fanbh.com.br/ Quando o mundo branco se põe a fazer elogios desmedidos a respeito do trabalho ou da personalidade de um negro, sempre me preparo para o pior. Por favor, não me venham falar em baixa estima, que estou na defensiva e tudo mais. O furo aqui é bem mais embaixo. Segundo Friedrich Nietzsche “o comentário demasiadamente elogioso produz mais indiscrições que a censura”. As louvações, neste caso, têm fundo culposo ; se efetivam sem que possamos lhes prever as conseqüências. Desvelam a imprudente face do preconceito. Para compensar toda uma série de episódios aniquiladores do ânimo de muitas personalidades negras fundamentais para a nossa cultura, o senso comum carrega nas tintas da apologia purgativa sobre aqueles que parecem ter vivido vidas que poderiam ter sido, mas que não foram. Parodiando o adágio relativo à vingança, pode-se dizer que tal espécie de elogio é um prato que se oferece frio ao seu maior interessado. Por essa razão, Cruz e Sousa é o Dante ...

3 em arroio grande

arroio frio à primeira hora da tarde após o almoço consanguineo ( arroz abóbora cerveja) exsurgidos de madrugada esbranquiçada (espólio de cobertas) arroio arrabalde casario liliputiano sob o desbaste do tempo não obstante vozes-pipilar e pelotas de meninos chutadas contra a parede do vizinho da frente arroio sem porvenir passado à régua de madeira réstia de canseira de meados do século passado arroio com quem reparto o extrato mimoso de minha abissínia arroio grande, 28 de abril de 2012 desarrumado comigo mais essa feita o mesmo inimigo  ego  (egum)  scriptor empregando forças velhacas formas em velhusca tristura (ainda mancebamente aquilina) na escuma no charque de mim orim nem raro nem claro isóscele orim ruim cujas narinas já farejam gracejam as ruínas do orum orim surdo insúdito à arenga horaciana toupeira rente à tópica latina invitação ao vinho à viagem à socapa do mapa da parol...

augusto de campos e o fogo-amigo dos cortesãos

Alguém já disse que a expressão “poesia formalista” — usada como pecha — seria uma redundância, porquanto, poesia é forma, mesmo. Ou seja, no poema o que se entende por “conteúdo” não guarda em si nada daquela dimensão de “preenchimento com algo de profunda relevância”, já que ele, em fim de contas, resulta em uma função da forma ou em um elemento formal plástico como o pensamento – e nem menor, nem maior que outros – integrado, por sua vez, ao construto da obra. Por outro lado, a ideia de poesia comercial ou de uma forma lírica palatável à tolerância do leitor intolerante com o eventual f ine excess de tal linguagem, pode ser interpretada como uma contradição entre termos, já que em torno à área semântica do substantivo comércio , aprendemos a reconhecer, de modo figurado, a comunicação (de algo) e/ou a relação estreita entre pessoas. Mas, o poema trata-se de um hipossigno, vale dizer, ele não se refere senão a si mesmo. Esta ideia de poesia comercial pressupõe a projeçã...

a 4 mãos

poemas a 4 mãos denise freitas e ronald augusto nervura do sossego onde engasto o desejo háptico se de-fenda enrodilhada cada retrocesso me força à ganâncias em retardo sugiro ainda sutileza – por inusitado que se perca – que gire sobre si mesma num acinte inessencial a sua hilaridade * a ver no escuro símile de odiosa deia de bolso resto sobre nova possibilidade de toda sorte sobrenada ao modo de recusa aresta para quase outro recurso sem farto proveito do contorno * fibrilações na extremidade da rama rasgo à margem do alvo discurso

o traficante de versos

Poema em quadras ao gosto popular composto de versos em redondilha menor (5 sílabas) de Guimarães Rosa. Até aí, tudo bem, pois ele também era poeta. A curiosidade é que Rosa deixou esse poemeto escondido ou dissimulado num parágrafo da novela “O burrinho pedrês”, incluída em Sagarana (1937). O romancista usa as vírgulas para indicar os cortes dos versos. Logo abaixo das estrofes desentranhadas por mim (imaginei essa disposição em quatro quartetos), o parágrafo tal como aparece na integridade textual da novela. As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugindo no meio, na massa embolada, com atritos de couros, estralos de guampas, estrondos e baques, e o berro queixoso do gado junqueira, de chifres imensos, com muita tristeza, saudades dos campos, querência dos pastos de lá do sertão. “ As ancas balançam, e as vagas de dorsos, das vacas e touros, batendo com as caudas, mugind...