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quem se considera

Quando leio os poemas (as tiradas) de Paulo Leminski é como se eu estivesse lendo poemas de poetas da minha e da geração subsequente tal é a facilidade com que essa poesia se oferece à imitação. Afinal, quem joga com quem? Mas há algo de mórbido ou de fantasmagórico nisso, porque – admitindo que o ar esteja efetivamente viciado – parece que Leminski é que posa como o diluidor deles. Uma originalidade tão pavimentada quanto exausta.

poema do livro Confissões Aplicadas (2004)

MACAJUBA no zinco jovem (continuidade persistência) grasna o antigo granizo as bátegas de água do céu ferindo o chão de folhas secas coberto soam como o crepitar do fogo precipitado no empenho de devastar o mundo o mundo vigas empenadas ainda que inclinando a esgalhada cabeça verdoenga respeitosamente frontispício de ramos sem interruptores ainda que mudando sua doença em dança não logra o indulto a palma e nem uma pequena parte de sua margem oposta: um mundo adulto mais magro de homens menos doutores menos nomes elpenores raimundos momos sem fundo preguiçosas dobras de pele elefantina ( alfinetes de ouro como estímulo) * continuísta a incúmplice realidade em decupagem de lâmina objetiva marca a película de luz ainda cinza do ar a essa altura uma garoa e agora um friúme o firmamento repousa coeso a velha montanha masculina e o vale o primeiro círculo do firmamento * bosque de ex-outono clareira em ocre ...

leva um livro pra praia

A convite dos editores do Segundo Caderno do jornal Zero Hora (RS), eu e outros autores demos dicas de títulos para rir, para se emocionar e para refletir durante o descanso nesse período de férias. Para quem quiser conferir todas as indicações de livros vá para   http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/01/escritores-sugerem-livros-para-as-ferias-3998826.html Essas são as minhas dicas: Rir: Memórias póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis Memórias póstumas de Brás Cubas é um livro extremamente divertido ou um cruel divertissement bem ao estilo do século 19. Mas, para quem não sabe, o humor de Machado de Assis não tem nenhuma relação com esse da inflação do stand-up cuja gargalhada é reacionária e nada inventiva, humor fácil que reproduz todos os preconceitos naturalizados e que se submete ao vale-tudo de fazer rir doa a quem doer. O humor autoirônico de Machado não é o do “atendimento ao cliente”. Vejam, por exemplo, ...

A celebridade de um homem que não foi ministro nem califa

Aguiar Eu disse a ele que B. não merecia o galardão de artista consumado, mas foi em vão. Nem um só revés havia partido seu ânimo. Os mais feros e descomunais jamais o engoliram. Aires Melhor se encontrava seu oponente, porque em Bodegabay havia vencido a morte valendo-se da indústria de deuses pagãos, prodígios da terra. Aguiar Dizia muito bem (mesmo dizendo mal), o mancebo B., do gigante, porque, sendo ele próprio daquela geração gigântea, concordava que todos eram soberbos e descomedidos. Aires Mas, à socapa, afirmava que ele só sabia ser afável e bem criado. E sobre todos considerava-se bastante aquinhoado. Aguiar Quando o viram sair do Castelo, depois de haver roubado todos com quem topara, deram nele mancheias de coices embrutecidos. O traidor gania. Aires Desafortunado B. Aguiar A alma que ainda tinha não prestava para mais nada. Com efeito, rematado já seu juízo, veio dar nele o mais estranho pensamento que jamais te...
A celebridade de um homem que não foi ministro nem califa Aguiar Eu disse a ele que B. não merecia o galardão de artista consumado, mas foi em vão. Nem um só revés havia partido seu ânimo. Os mais feros e descomunais jamais o engoliram. Aires Melhor se encontrava seu oponente, porque em Bodegabay havia vencido a morte valendo-se da indústria de deuses pagãos, prodígios da terra. Aguiar Dizia muito bem (mesmo dizendo mal), o mancebo B., do gigante, porque, sendo ele próprio daquela geração gigântea, concordava que todos eram soberbos e descomedidos. Aires Mas, à socapa, afirmava que ele só sabia ser afável e bem criado. E sobre todos considerava-se bastante aquinhoado. Aguiar Quando o viram sair do Castelo, depois de haver roubado todos com quem topara, deram nele mancheias de coices embrutecidos. O traidor gania. Aires Desafortunado B. Aguiar A alma que ainda tinha não prestava para mais nada. Com efeito, rematado já seu juízo, ...

diálogos sobre poetas e poéticas, curso-oficina

Curso de verão na Palavraria Ampliando o repertório: diálogos sobre poetas e poéticas Duração de 04 encontros-aulas: dois encontros por semana, nos dias 21/22 e 28/29 de janeiro de 2013. Custo R$ 200,00 à vista ou R$ 250,00 em 2X (dois cheques de R$ 125,00). Horário: das 19h às 21h Um diálogo dinâmico sobre alguns poetas fundamentais da tradição poética brasileira, seja em termos de modernismo, seja em termos de contemporaneidade. Através da apresentação e análise de obras chaves de determinados poetas, os participantes do curso se familiarizarão com as questões essenciais da função poética da linguagem e desse modo ampliarão sua capacidade de leitura e criação de poemas. Cada encontro será dedicado a um poeta, na seguinte ordem: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Décio Pignatari. Esses autores serão confrontados com um panorama seletivo-crítico de autores contemporâneos Em paralelo os participantes exercitarão a escritura d...

um ensaio a 4 mãos com cândido rolim

trabalho do artista Jorge dos Anjos, MG PRIMÓRDIOS DO NOVO                                                                        Cândido Rolim  e Ronald Augusto(*)                         Se o enredo não vale por si só, nada como pisar nos calos de questões já superadas.  De tempos em tempos, ocorre a um crítico ou artista reclamar aos brados um gênio, uma épica, uma raridade. À primeira vista, mais um paisano enfadado com a mesmice. De outra parte, embora pareça difícil não julgar ociosa a questão em si...