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Showing posts from August, 2007

a terceira das 4 "quadras de destrinça", do livro Homem ao Rubro, 1983

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arrumo nos lundus
mais lentos as duras
descobertas que fiz
as iluminuras

de dor que por tudo
calculei quem sabe
nem tanto tomara
proveitosa agave

tão sem meias setas
e certa e exausta
salvam-se as negras
de tudo que fausta



notas de leitura: No assoalho duro. editora Éblis, 2007

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por Ronaldo Machado (http://www.solecismos.zip.net/)
O título do livro de Ronald Augusto é catafórico da poética que o sustenta: uma escrita vigorosa, severa, dura e mesmo ríspida na sua função poética, no seu constitutivo estético. Leia-se esta aspereza na perspectiva de sua produtividade textual, na sua potência de invenção e intervenção sobre a linguagem. E, justamente ai, é que se encontra toda a expertise do poeta. No assoalho duro é um livro onde a escritura se faz entre corrosiva e escarificante do senso-comum poético.

Um conjunto - um assoalho xadrez - de 18 poemas fricativos, escritos entre 1988 e 2006, dão volume ao magro livro.

“jejum ergo coroa destronante/ jejum disse jesucristo enquanto/ levava à testa renhidos picos// cesto vazio seco sem o pão ázimo/ nem azia nem pedrarias beco/ básico câmara contraespiã// movediça e especular/ desdobrando braços no mais íntimo/ do palácio elísio de kublai khan” (p.5)

Como a filosofia de Nietzsche, do qual Ronald é insistente leitor, No as…

a coleção completa

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Frames da poesia contemporânea

1

Não obstante ser um bom livro falta-lhe coesão. Um conjunto de poemas esforçados. O autor tenta forjar uma coesão, mas da seguinte maneira: todos os poemas se compõem, a rigor, de duas estrofes, uma cuja extensão é variável (pode ter de 10 a 20 versos, mais ou menos), e outra “estrofe” que é um verso derradeiro isolado. É claro que isso não constitui um fio condutor, sequer uma “linha” condutora. Parece mais um formalismo sem função. Referências intertextuais. Diálogo culto com criadores de outras artes. Normalidade irritante.

2

O autor se vale do verso metrificado com senso contemporâneo, isto é, utiliza-o numa perspectiva irônica, às vezes sarcástica. No entanto, a opção pela tonalidade farsesca com relação ao modelo consagrado do verso medido, em certas ocasiões, acaba por se esgotar em si mesma. Mas mesmo aí, o autor se mostra, com freqüência, muito esperto. A leitura ou a releitura do recurso ao metrônomo não está condenada, desde um ponto de vista a…