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poema do meu livro Vá de Valha (1992)

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o nosso conceito de dante o nosso conceito de dante
o nosso conceito de dante
o nos

as interpretações de um livro infinito como a
commedia
as interpretações

so
conceito de dante
o nosso conceito de dante o nosso conceito de dante

o sósia o poeta sentimentalmente
não condena nem absolve
sol
cadena

monarchia ouro prata povos vergonha

sócio emprestado mascarado grafado
bebendo num scorvo escuro ou
o travo branco da luz que avança estilhaços

através do esgalho da
onça pintada selva

ou
a torpeza das linguagens
linguagens toupeiras que
premiam e castigam

tu m’hai di servo tratto a libertate
meu espírito espreita minha mão preta
avencas inguaiás possessão

DIE GELEHRTEN DER WELT

de Ronald Augusto
(tradução: Ines Hegemeyer)


Hohn verspielter Münze

auf unheilvolle Art geprägt
philosophisch vor allem
über alles poetisch
weder Bitte noch Habsucht hält sie ab

Gerechtigkeit zu üben
lieBen sie mal davon
entfernte sich diese
Stück für Stück

so dass sie im Lager der Gegner
nicht den Toleranten markierten
aber im eigenen gäben sie Gas
(auf holprigem Boden)
: als ob ihre Pfoten schwebten

beide unter dem Vorwand
als erster vor dem anderen sein Modell
geprägt zu haben den “Stein des Weisen”
: zahlen mit gleicher Münze

was mich angeht dreh ich
genügsam besagte Münze um
einen Fluch ausstoBend:

die einfältige Seite ist die Gelehrte
und umgekehrt

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Ines Hagemeyer (1938) nasceu em Berlin, é poeta e tradutora. Emigrou para o Uruguay onde viveu por várias décadas na capital Montevideo. Desde 1990 reside em Bonn. Faz parte da equipe de editores da revista plurilíngüe Dichtungsring, dedicada à literatura e às demais formas de arte.

ainda o orumuro

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diz o murograma
poeta

mas essa escarificação
essa pichatura

(literatura da pichação
porquanto se cunhou oratura
para literatura oral)

essa pichatura sobre o orumuro
permite também que se troveja e mire
em sua caligrafia malassignada
um M metonimizado em solita sagita
ou uma seta-T
a meio caminho
de se arrematar / desatar
em M anamorfizado e de
pernas fechadas

assim
pode o murograma áspero no corte
(craca nesse tipo de sistema de
segurança e defesa que sobrou para o
emurado
cidadão pé-de-chinelo à
cata e comensal de vidro em postas
para barganhar com a vida)
encimado de duros cacos
não
obstante sua rijeza monolítica lito-
gráfica pode
dizer elegendo o impreciso
a escrita defectiva de conturbado urbano
palimpsesto (folhas de rosto
discursos sobrepostos)
o seguinte

poema /
poeta
um pouco tres-
loucadamente também
gosto de ouver no quase-signo do
caligrama indecidível
o murograma murmurando para o design
para a economia dos
seus sentidos
uma sorte de key lexical emprestada de hermes
uma anagramatização in absentia
de algo que imagi…

ogumleituras em um muro by cândido rolim

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o poeta ronald augusto
no encalço veloz de arnaldo xavier
exu-mado
sacou na paliçada palindrômica
intransponível
m u r o
o r u m

o que não impediu de ver
no poeta sorte de coisa
para exorbitar das
cercas

mais agora que constato o augusto
poeta (não ao gosto)
por cima de visual palindromuro
colhe um corpo em seta
ressetado em plena
descida pânica ao
mundo ínfero

e não é que bem ali
neste lado solar do mundo a esperta
mão desconhecida anônima anomalia
bem nos beiços da sensatez
condominial da aldeota
cravou no muro sagaz
ogum-seta

tá ali pra quem vê
o grifo sagital
diagrama ofídico insidioso
o nome - poeta - agudizado
alvo disparado contra o
próprio olho

na revoada grafitada informe
do muro o piche pixel
note o sutil tridente in-verso
signo esgarçado um pouco acima do
lixo reciclável

firula poetizável
de insigniosos senhores destacáveis
(geralmente um
seleto grupo de eufêmicos
inda mais quando predicam
faça poesia sem sair de casa)
não chega aos pés dessa
sépia anarca
exímia defecção

se não divulga ali o
sensível uso burocrático do