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Showing posts from July, 2013

cinco questões

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Respostas ao amigo Roberto Amaral, em http://lemotjuste7.blogspot.com.br/2013/07/ronald-augusto-queima-roupa.html?spref=fb

Ler?
Duas coisas sobre essa questão: (1) ler é mais importante do que escrever; e (2) reler, do ponto de vista do escritor, é mais importante do que ler. Borges, Jorge Luis, é o grande exemplo dessa meia tese, isso porque o dom da cegueira progressiva contribuiu para que ele se dedicasse mais à releitura, espécie de rememoração, do que à leitura (que supõe o agora e o cumulativo). Se o prazer da leitura se extinguirá restando fora do alcance da vista, então melhor reter na memória imaginativa, por via da releitura, o que foi feito de melhor.
Escrever?
Subproduto da releitura. Repetir os mestres para aprender.
Ser lido?
Efetivar esse singular ato da comunicação poética. Reconhecer a vontade ou o desejo de linguagem do leitor. Admitir que as interpretações resultantes desse desejo são infinitamente mais importantes do que as que o escritor talvez tenha idealizado para o …

rasuras marginais à carne falsa

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patrícia, a prosa nervosa de carne falsa. às vezes esse convite à colaboração do leitor. mas depois, caso esse mesmo leitor ninguém se recuse ao desafio, a autora dá-lhe um piparote. portanto, uma hostilidade enviesada na construção do texto, uns trancos inesperados, umas minúsculas emboscadas no logos da narrativa, uns cortes mallarmaicos que revelam espaços gráficos.
os eles e elas, mesmo que mais ou menos prototípicos, se esfacelam em vaginas, sêmen, calcinha, gastrites, prédios acesos no escuro estelar, habitáculos do absurdo. e às vezes deparamos o epos resolvido numa linha que se rompe, de repente, contra a brancura da página, um respiro. esses contos de uma linha não merecem o nome de minicontos, são o acento átono, a pausa a contrapelo da redundância novelística, contra a qual patrícia investe.
e o eu de sua prosa, a voz lírica, lúbrica, é mais a presentificação no solo duro da linguagem do solilóquio de um ego scriptor do que qualquer outra coisa. esse excerto “vive na craca incrustada …