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cazé e os pequenos insetos da afeição

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os microafetos transfigurados em poemas wladimir cazé e sua poesia de microshapes

o exoesqueleto da métrica infusa no inseto áporo do verso jamais livre jamais abandonado ao capricho da mera rixa com o caro virtuosismo pós-cabralino

e nem por isso a incúmplice desafeição ao ácaro dos ritmos inumeráveis da memória oral

mas os decassílabos esdrúxulos [ao menos entendedor: em esdrúxulas] onde perseveram traças tracejados de percevejos em troças severas

toda sorte de sórdidos animaizinhos dos cantos encardidos atrás de cômodas sob camadas de pó de pele velha enquanto os mais titãs ao longe de viés cuidando caterva geração ícaros jandaia e migração

tudo à contrapelo dessa fauna miúda em faina muda com quem concerta cazé

decassílabos, não faz muito

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decassílabos

não há consolo, canção de negaça timbre vazio onde agora rebrilha um reiterado tranco de fusível em casa antiga sem luz ou manilha

mesmo que o cristão politone hosanas graças ternas por toda redenção para onde suas pernas querem ir, não vai nisso ciência nem razão

ociosos passos dir-se-ia dança não fosse errar coisa que muito o abala esse dançarino ao modo de prosa é peregrino que cansaço exala

que salva o terço e não a terza rima que, genuflexo, estanca ensimesmado que é do hábito bastardo exemplar que é de rezar e não pensar no caso



[13 de janeiro de 2016]