ainda o orumuro


diz o murograma
poeta

mas essa escarificação
essa pichatura

(literatura da pichação
porquanto se cunhou oratura
para literatura oral)

essa pichatura sobre o orumuro
permite também que se troveja e mire
em sua caligrafia malassignada
um M metonimizado em solita sagita
ou uma seta-T
a meio caminho
de se arrematar / desatar
em M anamorfizado e de
pernas fechadas

assim
pode o murograma áspero no corte
(craca nesse tipo de sistema de
segurança e defesa que sobrou para o
emurado
cidadão pé-de-chinelo à
cata e comensal de vidro em postas
para barganhar com a vida)
encimado de duros cacos
não
obstante sua rijeza monolítica lito-
gráfica pode
dizer elegendo o impreciso
a escrita defectiva de conturbado urbano
palimpsesto (folhas de rosto
discursos sobrepostos)
o seguinte

poema /
poeta
um pouco tres-
loucadamente também
gosto de ouver no quase-signo do
caligrama indecidível
o murograma murmurando para o design
para a economia dos
seus sentidos
uma sorte de key lexical emprestada de hermes
uma anagramatização in absentia
de algo que imagino assim

mensagem /
mensonge

mas
ad-
mire e veja na seqüência de
fotogramas do cinemuro (raptografados
criptografados pelo olho táctil desse
antissonantepoeta ali de
passagem em rota pela aldeota)
anima-
dos significantes com vida própria
por contras-
te com a língua amortecida
da escrita cursiva dos
tipos i-
móveis fontes
infantes
desde
mil
e
quinhentos

ronald augusto
(num diálogo com o poema “ogumleituras”, de cândido rolim, 27/28 de fevereiro de 2007)

Comments

Cândido said…
Ronald, beleza!
vc, dando tintas crípticas ao muro, operou legal uma subversão no meu poematéria. sem dúvida não se sentiu à vontade para o acoplamento ou o escaneamento concordante, chapante. curioso que o desbordamento operoso de sua craca inventiva dialoga com meu (?) texto e o signo pichado original. sem falar que as imagens originais agora aparecem tisnadas de negror-musgo, trevor musgoso, de que é feita a própria textura da visão emurada do morto-falante axé-vier. o formato pagão dos signos apontam vicissitudes de via-crucis, os RR em cópula frontal dão a ilusão de uma catraca de passagem-nenhuma, por onde o homem bate cabeça com o surdo orummuro. curioso que na gênese de minha ogumleitura eu tinha pensado em colocar o arnaldo na condição de emurado, que um infalível sopro da ilha do desterro me passava sussurrando.mas no seu texto ele cai sobre o cidadão pe´-de-chinelo.
isso aí. ninguém escapa.
abração Cândido.

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