em defesa da arte

by augusto de campos

leda tenório da motta



Leda Tenório da Motta rebate crítica de Sergio Miceli que, com quase 25 anos de atraso, reprisa as censuras feitas por Roberto Schwarz ao poema “pós-tudo” de Augusto de Campos. A seguir, alguns trechos do excelente artigo, cuja íntegra se encontra em: http://sibila.com.br/index.php/critica/722-literatura-sociedade-e-cinismo-em-sergio-miceli


De fato, é preciso um grau a mais de inadvertência em poética para escrever, como Miceli escreve, que Max Bense já não nos deveria interessar agora que o concretismo “está em baixa”. Um movimento estético em baixa? Que maneira é essa de falar? Estaria o autor de A noite da madrinha – livro reputado entre comunicólogos sociais, que versa sobre programas de auditório – importando diretamente das mídias padrões de medição? Se essa rudeza no trato vem a calhar, porque dá testemunho das possibilidades do crítico, nem por isso nos dispensamos de corrigir o que é também uma falha de informação...



O que mais falta nessas arguições piedosas da literatura, que põem a sociedade e suas injustiças por frente – como se a sociedade escrevesse poemas –, é a própria literatura. Se conhecesse The critic as artist de Oscar Wilde, este crítico de mão pesada e poucas letras talvez concedesse que artistas vivem fora da realidade, em suas próprias esferas. Que Leonardo, por exemplo, não encontrou fora de si aquele sorriso da Mona Lisa que pintou, já que ele é coisa mental...



Mas tudo bem. Seria mesmo demais pedir que um especialista em Hebe Camargo – o principal tema de A noite da madrinha, que, aliás, também foi reeditado, em versão melhorada, mais ou menos recentemente – se interessasse por evanescências e refinamentos de linguagem, ainda que não possa haver poesia sem isso.”

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