poema do livro No assoalho duro (2007)


mestre tanoeiro


trompete encapsulado em estojo luxuoso

a espera na tocaia

desse um que se vanglorie se inscreva

a executá-lo e a quem possa solapar

a paciência esgarçar-lhe os nervos

atrapalhar seus dedos

e beiços mostrando-se tão singelo inofensivo

com aquelas três teclas apenas


dizzie dixit

éramos ervilhas da mesma vagem

bird e eu


o trompetista

ao contrário do que pensam os críticos e

as mademoiselles da alta sociedade

toca com uma força

que provém não do diafragma

mas sim do cu


recolha de fraseados revolvidos em sua boca

a gordura compacta do corpo encaixada

na poltrona e registra e charla o dizzie

outras anedoutas cogitações ao entrevistador


priápico o trompete corno copa

exalando timbres

sapo-boi foi-não-foi sapo-pipa de papudas

bochechas na cheia infladas

parpadeantes

fingida cara de bunda de

face de flanco

Comments

trompete encapsulado em estojo luxuoso bochechas na cheia infladas face de flanco... perfeito.