Quando
o mundo branco se põe a fazer elogios desmedidos a respeito do trabalho ou da
personalidade de um negro, sempre me preparo para o pior. Por favor, não me
venham falar em baixa estima, que estou na defensiva e tudo mais. O furo aqui é
bem mais embaixo. Segundo Friedrich Nietzsche “o comentário demasiadamente
elogioso produz mais indiscrições que a censura”. As louvações, neste caso, têm
fundo culposo; se efetivam sem que
possamos lhes prever as conseqüências. Desvelam a imprudente face do
preconceito. Para compensar toda uma série de episódios aniquiladores do ânimo
de muitas personalidades negras fundamentais para a nossa cultura, o senso
comum carrega nas tintas da apologia purgativa sobre aqueles que parecem ter
vivido vidas que poderiam ter sido, mas que não foram. Parodiando o adágio
relativo à vingança, pode-se dizer que tal espécie de elogio é um prato que se
oferece frio ao seu maior interessado. Por essa razão, Cruz e Sousa é o Dante
negro; Leônidas da Silva, o Diamante Negro, Elizeth é a Divina, e assim por
diante.
3 poemas de à ipásia que o espera traduzidos para o inglês folhas de louro coroavam o árduo trabalho do herói e do poeta agora temperam apenas o feijão rotineiro que consagra a vianda sempre envolvida com zelo em pano puído prefiro-as assim folhas de louro mortais colhidas pelas mãos úmidas dessa abissínia nutriz do meu desejo bay leaves crowned the hard work of hero and poet now they merely season the daily beans that consecrate the meal always wrapped with care in a cloth raggedly i prefer them that way mortal bay leaves harvested by the moist hands of this abyssinian nurturer of my desire [Tradução de C. Leonardo B. Antunes] à custa das pétalas do ventilador de teto o bafo morno da noite focinha o sono adorado de ipásia a água rápida do arroio um apanhado de carqueja o longo dia inteiro do verão at the expense of the petals of theceiling fan...


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