poema do livro Confissões Aplicadas (2004)





MACAJUBA


no zinco jovem (continuidade
persistência) grasna o antigo granizo
as bátegas de água do céu ferindo
o chão de folhas secas coberto soam
como o crepitar do fogo precipitado
no empenho de devastar o mundo
o mundo vigas empenadas ainda
que inclinando a esgalhada cabeça
verdoenga respeitosamente
frontispício de ramos sem interruptores
ainda que mudando sua doença em dança
não logra o indulto a palma e nem uma
pequena parte de sua margem oposta:
um mundo adulto mais magro
de homens menos doutores menos nomes
elpenores raimundos momos sem fundo
preguiçosas dobras de pele elefantina (
alfinetes de ouro como estímulo)

*

continuísta a incúmplice realidade em
decupagem
de lâmina objetiva marca a película
de luz ainda cinza do ar
a essa altura uma garoa e agora um friúme
o firmamento repousa coeso a
velha montanha masculina
e o vale
o primeiro círculo do firmamento


*

bosque de ex-outono clareira em ocre
o movimento da luz no momento da
incontornável signifixação mundo
conservado enterrado vivo num aquário
onde a água envidraça-se
de uma a outra borda

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