brossa nova



Recentemente re-li o livro Poesia Vista, do poeta catalão Joan Brossa (1919-1998) (http://www.joanbrossa.org). Publicação da Amauta Editoral e da Ateliê Editorial. A velhaguarda da melhor vanguarda fazendo maravilhas com o mínimo de recursos. Nada de computadores e distorções de letras, essas bobagens típicas de uma confiança ou de um entusiasmo naïf nos poderes podres de maduros que marcam a ultramodernidade narcisista. Vírus da virtualândia.

Brossa, com seu sorriso carrolliano é mais dada que surreal. Chuta o saco diáfano da seriedade "artística". Diz que a nossa não é uma época multimídia, mas “multimerda”. Seus poemas recusam abordagens conclusivas ou explicações poética ou pretensamente corretas. Suas prestigitações poético-visuais vão a contrapelo da voga contemporânea, no sentido em que não dão a mínima importância para a necessidade de guarda-costas travestidos de curadores ou de simplórios mediadores sempre sacando de suas algibeiras uma dica de "leitura" com vistas a acalmar a angústia do observador frente à obra-cacto, intratável. O humor esturricado de Joan Brossa, humor de poucos amigos emulatórios, tem mais a ver com Buster Keaton do que com Charles Chaplin.

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